Níveis de hormônio sanguíneo predizem risco de câncer a longo prazo


Basta uma prova de um hormônio em sangue para ajudar a definir o risco de uma mulher desenvolver, a longo prazo, câncer de mama, post-menopáusico, com 20 anos de anterioridade.


Um estudo encontrou que o nível do hormônio sozinho se associou com o risco de câncer de mama durante pelo menos, 16 a 20 anos, nas mulheres pós-menopáusicas que não usavam hormônios de reposição.


Uma equipe de cientistas do Hospital Brigham e de Mulheres (Boston MA, EUA) analisou 796 pacientes com câncer de mama, pós-menopáusico, que não tinham recebido terapia hormonal. Realizaram-se provas de hormônios no sangue em dois momentos: entre 1989 e 1990, e entre 2000 e 2002. Depois, correlacionaram, a cada paciente, com dois controles que não tinham diagnóstico de câncer de mama.


As mulheres com níveis de hormônios 25% mais altos para o estradiol, testosterona e dehidroepiandrosterona sulfato (DHEAS) tinham uma probabilidade de 50% a 107% maior em desenvolver câncer de mama em comparação com as mulheres com os níveis 25% mais baixos. Os riscos relativos de desenvolver câncer de mama depois da coleta de sangue foram similares de um a dez anos frente a 11 a 20 anos e também de 16 a 20 anos.


Os cientistas também investigaram se os níveis hormonais mais altos estavam mais estreitamente relacionados com os cânceres de mama positivos para receptores hormonais (HR) e se prediziam o risco independentemente da agressividade do tumor. No primeiro caso, se contatou que os níveis elevados de estradiol aumentam o risco de uma mulher para câncer de mama HR-positivo. Em geral, o aumento dos níveis de hormônios, à exceção do DHEAS, se correlacionou muito de perto com um maior risco de câncer de mama HR-positivo. Os dados sobre cânceres de mama HR-negativos não foram concludentes.


A equipe confirmou o efeito protetor da globulina transportadora de hormônio sexual (SHBG), o que parece anular os efeitos cancerígenos de certos hormônios. Um quarto das mulheres com os níveis mais altos do SHBG submetidas à pesquisa tinha um risco 30% menor de câncer de mama em comparação com o 25% das mulheres com os níveis mais baixos do SHBG.


O professor de medicina da Escola Médica do Harvard (Boston, MA, EUA) Xuehong Zhang disse “estamos avaliando se a adição dos níveis hormonais aos atuais modelos de predição de risco pode melhorar substancialmente nossa capacidade para identificar mulheres de alto risco, que se beneficiariam de detecção melhorada ou de quimioprevenção. Se for assim, os dados atuais sugerem que os níveis hormonais não teriam que ser medidos, na clínica, mais de uma vez cada 10 ou possivelmente 20 anos”. O estudo foi apresentado na 11ª Conferência Anual Internacional sobre Fronteiras na Investigação de Prevenção do Câncer, celebrada em outubro de 2012, no Anaheim (Califórnia, EUA).


 


Fonte: LabMedica



Publicado em: 10/4/2015

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